Jornal Colaborativo

Luis Filipe Costa Carvalho

O conteúdo colaborativo surgiu nas revistas científicas, onde os pesquisadores trocavam experiências sobre suas pesquisas e descorbertas com artigos enviados para as redações das mesmas.

Esse exemplo de conteúdo colaborativo migrou para internet juntamente com surgimento do conceito de Web 2.0, a web que ultrapassa os limites da exibição de textos, fotos e animações. Permitindo uma maior interação entre o usuário final e o serviço.

O conteúdo colaborativo já existia na Web 1.0, sob a forma de guestbooks e fóruns. Mas era pouco explorada e sempre aplicada em segundo plano no projeto. Sem ter a devida importância merecida.

Atualmente, boa parte dos grandes websites de sucesso não produzem seu próprio conteúdo (Youtube, Flickr, Wikipedia, del.icio.us, etc) , ficando a cargo dos usuários que além de contar com uma gama maior de opções para consultar, ainda podem gerar o conteúdo e participar da comunidade.

Há algum tempo venho percebendo que essas empresas não administram mais seus portais, deixando o conteúdo a cargo dos usuário, essas empresas apenas administram a comunidade criada em torno do website.

Existem projetos de conteúdo colaborativo para vários tipos - fotos, vídeos, planilhas, textos, diários, piadas, etc. E esses conteúdos são responsáveis por boa parte do tráfego de internet no mundo. Os usuários podem criar diários pessoais (blogs - mas nem todos os blogs são diários pessoais), álbum de fotos e até mesmo um canal de televisão online à partir dos vídeo do Youtube.

Dentre todas essas opções de participar de uma comunidade, falta um Jornal Colaborativo sem vínculo com algum grande grupo de mídia. Um jornalismo colaborativo deve ter a interferência de um profissional da área para ter credibilidade, mas os canais de jornalismo colaborativo aberto pelos grandes grupos de mídia são subordinados ao editorial e a política da empresa. Sendo publicado somente o que é de interesse deles e não da população.

Seria como a filosofia de César, o imperador. Que fornecia pão e circo para seus súditos, mas em contra partida os explorava com impostos e penas de morte. A população se sentia contente e segura, mas estavam nas garras de um tirano que seivava suas vidas e dignidade. Os grandes grupos de mídia fornecem o canal de interação com os usuários, mas publica somente aquilo que é de seu interesse político.

A falta dessa opção gera uma grande lacuna em termos de informação. As grandes empresas de mídia manipulam a população com seu jornalismo sensacionalista e notícias muito (des)interessantes. Estou cansado de ler notícias sobre celebridades como: Paris Hilton, Britney Spears, Beckham, Cuise, etc. Além de explorar ao extremo as tragédias de famílias pobres. Tudo isso em função do lucro. Essa é a nossa Imprensa Marrom.

Um pesquisa realizada pelas empresas de pesquisas GlobeScan e Synovate avaliou a opnião de 11.344 pessoas em 14 países e comprovou que 80% dos brasileiros se dizem preocupados com a propriedade das empresas de mídia e acreditam que esse controle pode levar à “exposição das visões políticas” de seus donos no noticiário. 43% dos entrevistados acham que a cobertura do noticiário pelos órgãos públicos brasileiros é “pobre”. Os brasileiros também se mostraram os mais interessados em participar do processo de decisão sobre o que é noticiado: 74% disseram que gostariam de “ser ouvidos” na hora da escolha das notícias. E tem mais: 52% disseram que a liberdade para informar os fatos de forma honesta e verdadeira é importante para garantir uma sociedade justa.

Vamos fazer algo a respeito ou continuaremos lendo a vida pessoal das `celebridades`?

Você participaria de uma comunidade de notícias, voltada para um jornalismo imparcial e moderno, sem vínculo com grupos de mídia? Comentem…

Paulo Gomes é Diretor-Executivo da Codeorama Software, publicitário e desenvolvedor para internet nas horas vagas. Possui 7 prêmios nacionais de propaganda, 5 internacionais de webdesign e é 3 vezes consecutivas vencedor na categoria E-Marketing pela APP-Ribeirão Preto.

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